06/10/2010

Importância da sesta - pedido de opinião

Caros pais,

A Associação de Pais dos Capuchos foi abordado por uma mãe acerca da possibilidade de existir uma hora para a sesta das crianças mais pequenas (3 anos). Aqui deixamos o texto da mãe, aguardando o feedback de todos dos pais para o email apcapuchos@gmail.com Caso haja uma participação positiva por parte dos pais, a Associação de Pais poderá levar este assunto a reunião com o Agrupamento D. Dinis e Coordenação do Jardim-de-Infância.


“Uma criança “bem dormida” é uma criança bem-disposta, sociável, mais tolerante e cooperante, com maior capacidade de atenção, maior predisposição para a aprendizagem e mais orgulhosa das suas aquisições. Além do mais, não podemos esquecer que é apenas durante o sono nocturno que se produz a hormona do crescimento, essencial para bebés, crianças e adolescentes.

Posto isto, o que se passa no sono saudável? Há uma sucessão de 4 a 6 ciclos de sono, cada um com a duração de 90 a 120 minutos e que inclui 3 ou 4 fases de sono lento (de ligeiro a profundo, o chamado sono NREM), seguidas de um período de sono REM ou paradoxal, após o qual acontece um micro-despertar (antes do ciclo seguinte).

Mas nem só de sono nocturno vivem as crianças. A sesta (sono diurno) é uma necessidade biológica desde o nascimento. Um recém-nascido tem um ritmo biológico com uma duração de 4 horas, que se repartem, ciclicamente, em períodos de alimentação, sono e vigília, momento em que interagem um pouco com os pais.

Os períodos de vigília vão sendo progressivamente maiores, à medida que o ritmo biológico se aproxima do dos adultos e o sono vai tendendo a ser predominantemente nocturno (muitas vezes os pais podem dar uma ajudinha a esta evolução, criando condições de sesta diferentes das do sono nocturno: manter alguma luminosidade no quarto e evitar o silêncio absoluto, por exemplo).

Sabe-se que a da manhã, em que prevalece o sono REM, está associada ao crescimento e maturação cerebral, ao passo que a sesta da tarde (com predominância do sono NREM), promove o restabelecimento físico e psicológico. Contudo, as necessidades de sesta e de sono nocturno não são iguais ao longo de toda a infância e mesmo na adolescência.

Que as crianças precisam de dormir mais do que um adulto, todos nós sabemos. Mas nem sempre damos muita importância à sesta, na escola e em casa. E, no entanto, durante a sesta as crianças sonham e... crescem. É aos três anos que, em regra, as crianças ingressam no ensino pré-escolar. Naturalmente que muitas frequentam a creche desde os primeiros meses de vida, mas para outras os três anos marcam o primeiro contacto com a escola. Uma nova experiência que corresponde a alguma mudança de hábitos, ao contacto com outras crianças da mesma idade, à presença de um adulto estranho com o qual conviverão boa parte do dia, e ao fim de algumas rotinas que até então mantinham em casa, dos pais ou dos avós.

Uma dessas rotinas – e porque as crianças até essa idade necessitam de dormir pelo menos 12 horas diárias – era a sesta. A seguir ao almoço, uma a duas horas de pausa é o mínimo indispensável, sob pena de o dia se tornar demasiado longo e cansativo. Na escola, muitas vezes este hábito perde-se. No pré-escolar público é praticamente inexistente, até por incompatibilidade do horário de funcionamento e por imposição do número de horas diárias que cada educadora deve dedicar a actividades lectivas.

Devido aos horários laborais, que pouco se compadecem com as necessidades infantis, muitas crianças acabam por adquirir os hábitos de vida dos pais - deitar tarde e acordar cedo. Para elas, a sesta diária é indispensável. Sem a sesta, crianças que logo às oito da manhã entram na cruel engrenagem do stress quotidiano ficam rabugentas, implicam umas com as outras, cabeceiam – fazem tudo menos prestar atenção às propostas das educadoras, por mais lúdicas que sejam”.

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